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O uso de resíduos para a matriz energética da construção civil 

 

Conheça as novidades relativas ao uso de resíduos e biomassa na construção civil e entenda quais são os principais benefícios. 

Desde a ECO-92, a convenção realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, a sustentabilidade ganhou destaque nos debates entre líderes políticos e gestores empresariais.  

De lá para cá, o compromisso de tornar as práticas de negócios mais sustentáveis e diminuir o impacto no meio ambiente aumenta. Por exemplo, o Brasil tem a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2025, e isso não será conquistado sem o auxílio da iniciativa privada.  

Na construção civil, um dos setores mais importantes para a economia brasileira e também um dos maiores responsáveis pela geração de resíduos e emissão de gases de efeito estufa, o uso de resíduos e biomassa na matriz energética ganha espaço. 

 

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Uso de resíduos e biomassa: os impulsionadores da construção civil 

Vanderley Moacyr John, professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação das engenharias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), comenta que, atualmente, vários fatores impulsionam a adoção e o uso de resíduos e biomassa na construção civil.  

"Podemos falar de três drivers: a questão ambiental certamente será um. A necessidade de ganho de produtividade, dado o envelhecimento da população e a redução da força de trabalho no Brasil, é outro. Por último, a digitalização da economia e o impacto da indústria 4.0 também serão facilitadores para as tecnologias sustentáveis", afirma ele.  

Além da substituição da argamassa tradicional pela sustentável, outros exemplos de aplicação de resíduos e biomassa já podem ser encontrados na construção. Na Austrália, pesquisadores da Universidade RMIT criaram um material que combina entulho e borracha de pneus velhos para pavimentar estradas.   

Mas o uso de resíduos e biomassa não está limitado às matérias-primas para os projetos. A madeira, um dos resíduos mais comuns gerados durante obras, pode ser reaproveitada e queimada para a geração de energia. Durante o processo, nada se perde: até as cinzas geradas são reaproveitadas para a produção de sílica, que pode substituir a areia no canteiro.  

A casca de arroz é outra biomassa utilizada para gerar energia. No Rio Grande do Sul, produtores de cimento já utilizam a queima desse material para sustentar as suas produções. Aqui, as cinzas também podem ser reaproveitadas para a produção de sílica sustentável. 

 

O futuro da sustentabilidade na construção civil 

Os benefícios do reaproveitamento dos resíduos e do uso das biomassas são diversos. Além de tornar a construção mais sustentável, reduzindo a emissão dos gases de efeito estufa, a utilização desses materiais pode reduzir custos nas obras com o reaproveitamento de itens que já existem nos canteiros.   

No entanto, segundo John, ainda existem alguns obstáculos a serem superados para a ampla adoção das tecnologias sustentáveis. "Hoje em dia, muitas empresas acreditam que a redução de impacto ambiental depende de selos e consultorias. Como a maior parte das obras não tem orçamento para esses itens, a questão acaba esquecida", explica.  

O professor afirma que as empresas que desejam usufruir dos benefícios de uma construção sustentável devem primeiro medir o impacto atual e, a partir do diagnóstico, buscar formas de reduzi-lo.  

Nesse sentido, ele menciona o trabalho realizado em conjunto com o Conselho Brasileiro de Construções Sustentáveis (CBCS), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na busca por uma metodologia simplificada que permita às empresas de construção medirem os impactos ambientais de forma mais simples.   

Esse sistema permitirá às empresas tomarem decisões baseadas em informações objetivas, selecionando soluções e fornecedores de menor impacto ambiental que cumpram os requisitos técnicos.  

Em outras palavras, pequenas e grandes empresas poderiam contribuir para a mitigação de gases de efeito estufa e reduzir sua pegada energética em projetos de qualquer escala, sem a necessidade de contratarem consultorias complexas ou buscarem soluções técnicas sofisticadas.  

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