“informa

Notícias

Concreto: formalidade e cadeia de valor

Como qualquer setor econômico, o de concreto tem subdivisões. Até aí, nenhum problema: não é surpresa que o material mais usado no mundo seja aplicado de maneiras diferentes, e que cada uma delas seja a mais adequada para uma determinada demanda de mercado.

Ocorre que em situações que combinam uma cultura de trabalho informal com a pressão econômica pela redução de custos em níveis sempre maiores, pode começar a haver problemas. Sim, existem várias formas de usar o concreto para construir estruturas (concreto usinado, pré-fabricado, alvenaria estrutural com blocos de concreto, concreto dosado em obra etc). Mas quando os critérios de escolha do método de aplicação deixam de obedecer a boa técnica de engenharia e passam a respeitar mais a limitação financeira, o perigo pode estar mais perto do que se pensa.

Assim, o alerta que o setor deve repetir a todos os que constroem estruturas no Brasil é: concreto tem que seguir normas, senão a estrutura corre riscos. Para isto existem empresas especializadas em produzi-lo e transportá-lo até a obra. Não deve haver espaço para a informalidade quando se trata do material que será responsável por abrigar vidas humanas em segurança. Várias memórias bastante trágicas (a exemplo do Palace II no Rio de Janeiro e do Edifício Space na Colômbia) deveriam servir de doloroso alerta contra a informalidade no mundo do concreto.

De forma que cada obra deve encontrar sua melhor solução, sendo legítimo calcular custos e benefícios econômicos na hora de escolher, por exemplo, entre uma alvenaria com blocos para completar uma estrutura de concreto usinado, ou uma estrutura inteira pré-fabricada, ou ainda uma estrutura inteira de concreto usinado. Haverá mercado para todos, desde que se tenha clareza de que as normas sejam sempre respeitadas.

O que não se pode admitir é a prática do concreto feito “no olho”, sem definição de traço, sem controle de slump, sem teste de rompimento dos corpos de prova, e portanto, sem qualquer conhecimento sobre sua resistência à compressão. E o que se reserva para as conhecidas operações de concreto feito em obra com equipamentos menores, misturando cimento, água, areia e pedra em proporções não calculadas? Talvez pequenas rampas de acessibilidade de cadeirantes, calçamentos de portaria, mobiliário de áreas comuns e outros objetos não estruturais. Jamais, no entanto, a estrutura em si.

Para as estruturas, o Brasil conta com uma indústria muito bem montada de cimento e concreto, que atende normas técnicas rigorosas e sabe trabalhar para garantir o concreto que sustentará nossas casas, escritórios, pontes, viadutos e tudo o mais.

Por fim, não custa lembrar que o Brasil vive um momento de crise econômica que está difícil de superar. A construção civil é uma das maiores cadeias de valor instaladas, e está em alta ociosidade. Recorrer à informalidade na construção é contribuir para manter toda esta cadeia estagnada. Por outro lado, ativar a cadeia formal do concreto é mobilizar milhares de empregos diretos e indiretos, contribuindo para uma sadia e necessária recuperação da economia brasileira.
Associada à

ubm white 2

 

 

Newsletter

Entrada Inválida
Entrada Inválida
Entrada Inválida
E-mail Inválido
Entrada Inválida
Entrada Inválida
Entrada Inválida