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Mudanças de mentalidade e quebra de paradigmas a favor do avanço na área de construção civil 

 

Depois de passar três anos e incontáveis horas testando novos softwares e formas de trabalhar, a diretoria de uma grande construtora estava pronta para finalizar seus projetos de digitalização e voltar a "fazer as coisas como eram antes".   

Essa é uma história fictícia, mas, na realidade, milhares de empresas na construção passam pelo mesmo problema anualmente. Enquanto tentativas de se adaptar a soluções tecnológicas novas muitas vezes falham em apresentar os resultados esperados, o setor da construção continua sendo um dos menos digitalizados quando comparado a outros setores da economia. Mas quais os desafios existentes e por que, historicamente, o setor relutou em aceitar mudanças, mesmo as que prometam avanços na área de construção civil? 


Os desafios para o avanço na construção civil 

O projeto de construção típico envolve uma infinidade de subcontratados e fornecedores independentes, que, geralmente, têm pouco incentivo para adotar novos métodos durante os breves períodos em que estão atuando na obra.  

Os projetos também variam muito; portanto, as empresas de construção geralmente lutam para desenvolver ferramentas e métodos que possam ser aplicados repetidamente. Além disso, o trabalho de construção geralmente ocorre em ambientes remotos que não são completamente adequados para hardwares e softwares desenvolvidos para escritórios.  

Não é de admirar, então, que até hoje muitas empresas tenham tido poucos resultados para mostrar seus investimentos em tecnologia. No entanto, devido à crise econômica dos últimos anos, o setor passou a enxergar a necessidade de aumentar a produtividade dos projetos como forma de reduzir custos e torná-los mais rentáveis.   


Mudanças de mentalidade na construção brasileira  

Diante dos desafios relacionados à eficiência do projeto, preocupações contínuas de segurança e níveis de produtividade da mão de obra, a lenta adoção do setor de novas tecnologias atingiu um ponto de inflexão.  

Estamos vendo um número crescente de organizações de construção superar esses desafios para transformar projetos ou mesmo divisões de negócios digitalmente. Com o objetivo de acelerar a adoção de novas tecnologias, o Governo Federal publicou em abril o Decreto 10.306/2020, que determina o uso do BIM — Building Information Modelling — nos projetos realizados pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal.   

O BIM é uma das tecnologias que prometem ter o maior impacto no setor nos próximos anos. Se trata de um processo altamente colaborativo que permite que várias partes interessadas de um dado projeto trabalhem simultaneamente no planejamento, design e construção de um edifício em um modelo computacional 3D.  

Seguindo os mesmos passos, o movimento Do Mesmo Lado criou o prêmio Produtividade 2020, com o objetivo de premiar aquelas empresas que se destacam no aproveitamento da produtividade através da digitalização.  

 

Os paradigmas a serem quebrados a favor do avanço 

Ainda há muito caminho pela frente. Enquanto outros setores já transformaram seu desempenho tecnologócio em ganho produtividade, a construção ainda luta para inovar. No varejo, as lojas especializadas do século passado foram substituídas por varejistas modernos com cadeias de suprimentos globais e sistemas de distribuição cada vez mais digitalizados. Na manufatura, os princípios enxutos, juntamente com a extensa automação, mudaram completamente as indústrias.  

Para seguir o mesmo caminho, a transformação digital na construção civil requer processos de mudança e uso de novos recursos que aproveitam o poder dos dados para melhorar aspectos como comunicação, eficiência, produtividade e segurança. Isso pode posicionar as empresas de construção para um crescimento lucrativo em um setor altamente competitivo. No entanto, como observa Íria Doniak, presidente executiva da Abcic – Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto —, "o grande desafio é, ao mesmo tempo em que se busca a produtividade, agregar mais valor ao empreendimento". 

Existem já muitos exemplos de projetos que chegaram lá. O Parque da Cidade, na cidade de São Paulo, é um deles. O empreendimento conduzido pela Matec emprega tecnologias como BIM, uso de drones e estruturas pré-fabricadas para entregar o maior complexo multifuncional da maior cidade do país.  

Segundo Íria Doniak, "a expectativa é que haja uma adoção ainda maior (nos próximos anos) do uso da tecnologia e dos conceitos da indústria 4.0". Para empresas que podem aumentar suas capacidades agora, a adoção digital bem-sucedida pode reforçar suas capacidades competitivas e estabelecer as bases para um futuro de sucesso.  

Desde ferramentas de gerenciamento de projetos que oferecem comunicação em tempo real, atualizações e visões gerais de projeto até tecnologias em nuvem e móveis, usos avançados para GPS, robótica, drones e muito mais, as atuais ferramentas de tecnologia podem mudar fundamentalmente o processo de design e desenvolvimento na construção.  

A transformação digital pode ser o meio para o setor superar os problemas da força de trabalho, descobrir novas eficiências e criar uma plataforma integrada para aumentar a produtividade e o crescimento para as próximas gerações. 


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