Torres eólicas com concreto protendido: saiba as vantagens

Estruturas permitem gerar mais energia, têm custo menor de construção e a manutenção é mais barata

Segundo dados da ABEEolica (Associação Brasileira de Energia Eólica) o Brasil possui atualmente 19 GW de capacidade instalada, com mais de 720 parques e 8.550 aerogeradores em operação. A maior parte das torres instaladas ainda são metálicas, mas as construções recentes têm optado por estruturas em concreto protendido. Em palestra promovida pelo Instituto de Engenharia, o engenheiro civil Evandro Duarte explica o porquê dessa tendência e quais as vantagens das torres construídas com elementos pré-fabricados.

Reconhecido internacionalmente como um dos principais projetistas de estruturas em concreto protendido, Duarte foi professor de importantes universidades do Rio de Janeiro e atualmente atua no segmento de construção de torres eólicas. Em sua palestra online, ele conta que os primeiros parques eólicos construídos no Brasil tiveram a presença maciça de torres metálicas por imposição dos fabricantes de aerogeradores europeus. “Eles impunham os projetos e exigiam que estivessem vinculados aos padrões europeus”, relata.

Com o tempo, o mercado de energia eólica no Brasil percebeu que as torres metálicas possuem vulnerabilidades que as construídas com concreto protendido não têm. O palestrante explica uma delas: “Quando o vento é forte, as torres metálicas têm pouca inércia da seção estrutural, ou seja, elas ‘encolhem’ e comprometem a
potência dos aerogeradores, impedindo que eles girem na velocidade máxima. Com o concreto protendido isso não ocorre, pois o material é mais rígido e suporta
melhor a velocidade dos ventos.”

Outras vantagens das torres construídas com elementos pré-fabricados de concreto protendido são as seguintes:

1. Menor tempo na execução. Enquanto as metálicas geram transtornos de logística, a torre de concreto protendido permite que seja montada uma fábrica itinerante no canteiro de obras, eliminando o transporte por longas distâncias.

2. Possibilita projetar torres mais altas, com 120 metros ou mais, para aerogeradores mais potentes. “Já está se chegando a aerogeradores com pás de 160 metros de diâmetros, capazes de produzir até 10 MW. Isso exige torres mais altas”, cita Evandro Duarte.

3. Tem baixa manutenção na comparação com as metálicas, que necessitam de reaperto constante.

4. Permite uso de concreto de alto desempenho.

5. Ausência de oxidação.

6. Melhor comportamento dinâmico.

7. Baixo risco de fadiga do material.

8. Maior resistência ao fogo.

9. Menor custo, já que o aço registrou aumento superior a 72% em 12 meses no Brasil.

10. Permite janelas maiores para a montagem das aduelas, enquanto as estruturas metálicas exigem que a operação seja paralisada quando o vento supera 20 km/h.

Brasil avançou para a 3ª colocação entre os maiores geradores de energia eólica

Na palestra intitulada “Uma solução atual para torres eólicas pré-moldadas e protendidas”, Evandro Duarte relata que na década passada o Brasil deu um salto na construção de parques que produzem energia eólica. O país atualmente ocupa a 3ª colocação. É superado por China e Estados Unidos e está na frente de Alemanha, Noruega, Espanha, França, Turquia, Índia e Austrália. As regiões brasileiras mais propícias para a exploração da energia gerada pelo vento são nordeste e sul. A costa litorânea que se estende entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte é uma delas. Em seguida, vem a região central da Bahia, a costa litorânea do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o oeste e sul do Paraná.

Os estados que mais produzem energia eólica no Brasil são Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Piauí. Já as maiores capacidades instaladas estão no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Rio Grande do Sul e Piauí.

 

Fonte: Altair Santos - Massa Cinzenta